A canção dos sonhos que nunca vivemos

Nós nunca nos encontramos em nossos sonhos. O cotidiano nos leva para distante até mesmo de nós próprios.

Mas quem sabe um dia todas as cores possam celebrar os nossos dias, envolvendo em um abraço caloroso todas as palavras que nossos lábios anseiam dizer, mas por alguma razão nunca dizemos.

Eu peço, no silêncio da minha alma, que minhas palavras possam encontrar um caminho através da brisa do Atlântico; que elas então cheguem a um lugar jamais descrito, jamais conhecido – algum lugar chamado coração. E aí tão somente repousem.

Sempre houve apenas uma única canção… Uma canção que está sempre indo e vindo, sempre em meu coração, assim como o mundo que sempre morre e renasce. Como o tempo do verão, como toda a neve e seus segredos debaixo da terra. Uma canção com todas as notas que você toca, sempre com a sua alma. E isso é o que sempre tem permanecido em mim. Você está sempre na minha mente.

Eu nunca falei sobre a beleza que as tulipas têm ou como seus olhos brilham quando as luzes neles se encontram, embora eu sempre tenha admirado. Você nunca me contou sobre o fogo, mas você sabe que é o que te aquece, assim como também nunca me disse sobre os amores que já teve: os que te fizeram rir até não querer mais ou os que arrancaram lágrimas desses teus olhos sempre serenos até o dia amanhecer. Cabe aqui um grande silêncio, por eu nunca ter dito a respeito das coisas que penso e de quando sorrio sozinha. Você deve parecer bonito mesmo quando acorda sem jeito de manhã ou quando você olha para o horizonte, além do mar… o mar à sua frente que mais parece fazer morada dentro dos seus olhos – onde eu penso que todo mundo gostaria de se afogar.

Nós sabemos que embora haja uma lua e um sol acima de nós, e as estrelas, nada nunca esteve tão distante que não possa ser alcançado. Mas você está sempre indo e vindo, como as estrelas no céu em junho. Como as estrelas no céu em qualquer tempo, que mesmo quando tudo estivesse nublado, frio e vazio, eu continuaria saindo lá fora para olhar para cima, como sempre tenho feito, e simplesmente sentiria que você estaria lá, embora não o visse e nem pudesse tocá-lo – como sempre tem sido até aqui.

Eu sei. Nós não podemos reunir todas as almas em uma só alma. E isso sempre tem sido doloroso. Nós não podemos nos dar a todos. Nós somos metades, nunca inteiros. Simplesmente não podemos ser uma outra pessoa além de nós próprios para completar o outro. Então eu tenho mantido as notas que você tem me enviado durante todo esse tempo através do vento em forma de canção, os sonhos e as memórias nunca vividas das ruas onde nós nunca nos topamos, dos abraços nunca dados – canção esta provinda nos sonhos em que nunca, nunca nos encontramos. E assim espero, que um dia estas mesmas notas sobrevivam e nos reúnam em nossa realidade.

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