Nihil

Diferentes visões de mundo são meras dúvidas pertencentes ao vão que engloba tudo o que se conhece por “realidade”, diferentes ideias tidas como verdades universais não passam de um grande equívoco do ser humano. Parece ser justo dizer que o homem, em milênios, conseguiu tornar-se algum tipo de senhor de si mesmo, parece sensato se não fosse o malogro de sua própria existência. Mas não, o homem não tornou-se senhor de si, pois o homem não existe.

A sina do homem é uma imersão em uma utopia infinita e inexistente em si mesmo onde, como em uma grande metrópole sustentada por colunas ilusórias, um antro abriga toda espécie de devaneio no qual em sua cúspide jaz o próprio sentido de ser. Um lugar onde todos caminham em um labirinto, sem razão e sem sentido, pois estes não existem – dizendo alto e em bom tom: “venha, é aqui que vivemos e aqui que morremos, e tudo o mais que decorre daqui é criação de algo maior, um ser, um alguém, um diabo ou um deus travestido de atributos que nós mesmos demos a ele. Vejam, nós criamos infinitas realidades dentro do nada para escravizar a nós mesmos, para sustentar o peso de toda a nossa insignificância, que é infinita”.

Uma metrópole onde os dias e as noites são cronometrados, baseados em um tempo onde nunca existiu tempo algum, pois o tempo não existe. A humanidade seria cômica e trágica, mas nada que fosse resultado de sua própria aberração, mas o homem não existe, logo, tampouco humanidade.

No antro, há aqueles que creem serem os construtores de todos os pilares que o sustenta, há outros que lutam pelo título de benfeitores, outros se contentam com a audácia de serem os vilões. Um ninguém diz ser o dono do nada que ele construiu e todos os outros nadas declaram guerra ao nada. A humanidade é construtiva e autodestrutiva. Motivo: nada.

Tudo é questão de sobrevivência. Tudo é questão de continuar a ser. Ser nada.

Mas há uma outra parte dentro da grande metrópole, circundada por grandes torres e arranha-céus, da metrópole do grande arco de luz – a mãe da grande babilônia, do inferno dantesco e de todos os infernos, dos além-mundos e qualquer espécie de invenção ultra-existencial que não existe; essa outra parte nada mais é do que um pátio onde caminham para um lado e outro em um quarto de espelhos, seres não-caminhantes, que vivem sem viver, aqueles já despertos de um sonho nunca despertado: os que viram em si o próprio nada. Eles não existem. O pátio também não. Nem o labirinto e nem a metrópole.

Talvez a única coisa que poderia dar-se ao luxo de fazer sentido, seria a afirmação do homem ser ele mesmo o próprio nada em si mesmo. Mas o sentido não existe e nunca houve afirmação alguma (pois o verbo não existe), tampouco esta de agora: nem eu e nem você existimos.

Nada.

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