Arte: a beleza segundo o homem décadent

Soubesse o homem pós-moderno distinguir as coisas piores das melhores, entre as quais há uma distância onde, nos extremos, estas se encontram, opostas, em eterna refutação sem que se possa relacionar uma com outra – ainda que em termos de gostos – com a premissa de que o gosto se faz peculiar a cada pessoa, veria que há, de todo modo, um abismo entre elas.

Por isso mesmo hoje o mundo perece sobre os próprios pés que, em seu encalço, toda a feiura o sustém – mais que isso: o homem, miserável em sua natureza e fraco de espírito, tomou para si o feio como o belo, pois não é possível que nele se ache a compreensão das coisas belas, dado que por sua degenerescência tornou-se incapacitado para tal ar de grandeza.

A beleza magna, de tão suprema e incompreendida, fora resguardada, ignorada. Substituíram sua essência por qualquer outra ínfima definição, esta que é agora tida como válida, com a desculpa de que se vive “novos tempos” – e com razão! – É o que fazem os homens miseráveis ao esconder todo o lado ruim de sua decadência.

Inventa-se qualidades, cria-se mundos alegóricos. A covardia é bem sustentada. Em meio aos próprios fragmentos, o homem está no topo de sua cadeia alimentar – pobres são os vermes que tiveram seus lugares ursupados! – Ele consegue apenas enxergar saída em decompor o seu mundo, e assim causa boa impressão. À vista dos demais pobres de espírito, não é necessário maior esforço. O homem se auto-decompõe. Garante assim, mais alguns dias à sua espécie. Isso bem vale para todas as coisas.

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