As flores de hoje

As flores já abriram, você não vem para ver?
O vento viaja lá fora sobre as planícies
E para além, corre, como se
De encontro a um grande amor perdido em direção fosse.
A vida está banhada em um profundo misto de cores
Somente hoje, sobre o amanhã é incerto,
Pois as noites são sempre escuras
E alguns dias são tão cinzentos.
As flores estão belas, como lábios de carmim
Você não vem para ver?
Que vida é esta que te faz permanecer imóvel,
No silêncio absoluto em meio ao barulho das almas,
À beira da janela, à beira do nada,
À espera de ninguém?
A vida passa, como passa o tempo e o vento correndo lá fora,
Como se fosse ao encontro dos braços de um grande amor…

– Lembranças da infância:
E lá estou eu de volta,
Brilho azul do céu, verde das árvores beijando a água,
Som do balançar da canoa no rio, para lá, para cá
Canto das aves, sorriso de mãe a pescar
Olhos de meu pai, um domingo que eu queria sempre…
Tempo imóvel que pousou no horizonte,
Luz do sol beijando meus cabelos, calor que envolve corpo,
E as águas…
E um mar de sonhos e de se
Dentro de mim, tão profundo, tão raso
Tão à flor da pele.
Deitada na pequena canoa no meio do rio,
Sobre mim a imensidão azul do céu,
E nele mergulhando, brotando, desabrochando…
Como as flores de hoje:

– Elas já abriram e sorriem
Você não vem sorrir também?

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