Oceano

Há dias em que o sol brilha em um tom de dourado mais brando, cor de outono. Há momentos em que vendavais do acaso, por si só inesperados, vêm em direção onde mora a minha ainda frágil fortaleza. Eu, que aprendiz da vida sou, entre tanto que vivi e os erros que fiz surgir à luz, lancei-me por vezes à escuridão e com ela tornei-me também escura.

Em cada sussurro do destino frente ao que era e o que ainda sou, quando uma onda de tudo e nada invade a calmaria de meus equívocos adormecidos, os quais por seus sonos sempre estive a zelar, desfaço-me em um estado cataclísmico… Mas eu ainda tenho uma saída.

Sábado à noite – enquanto o mundo dorme e alguns jogam conversa fora, enquanto as luzes dos bares se apagam e alguém chora sozinho, enquanto amores são terminados e corações partidos batem a porta na cara de um outro, enquanto alguns chegam e outros dizem adeus, – eu tenho um lugar para ir, um lugar no qual eu sempre poderei ser eu mesma.

Eu caminho em ruas tão silenciosas quanto a calmaria de um mar em sua profundidade… Eu avisto suas águas ao longe, no entremeio do horizonte e a terra, agitadas em sua superfície. Caminho em direção. Há uma brisa acolhedora, um mistério convidativo…  E então eu mergulho, desapareço, torno-me completa. No mar que és, sou também água, e sem perceber, talvez sejamos oceano.

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2 comentários sobre “Oceano

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