A quarta parte

Agora contarei sobre o momento de espiar a vida passando lá fora. É lá, no invisível que se faz visível aos olhos que fitam o nada, – como se o visse a ele dissesse: “compreendo-te”, mesmo sem nem perceber o que se tem por pensamento, e o invisível de volta respondesse: “bem sei”, mesmo sem nunca nada ter dito – que existe algo a guardar o último suspiro de quem morre e assim permanecesse, quieto, em um luto que bem sabe que a vida assim o é, e simplesmente é só podendo ser o que lhe resta ser. Existe também um querer sem voz a definhar, é a criança que fica para trás, é a flor que nasce sozinha.

Cai a tarde, cai o mundo sobre os ombros de um alguém. E escurece depois. Tudo o que se sente e ouve é o peso da hora sexta a exalar um aroma de domingo, uma memória distante de um nada que um dia foi um tudo, uma saudade de coisas sentidas, mas nunca vividas. Sombra de mistério e vida. E, ah, no ar a pairar um som emudecido de um domingo que nada diz. Em plena quarta! Mas que coisa. Que sina, que vida.

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