Três

Tenho de dizer, desfiz-me em lembranças. Lembranças do que eu quis ser, do que quis ter e nunca fui ou tive. Mas um poço de vontades ainda está lá, em algum lugar desconhecido, tão profundo quanto meus anseios, mas seco.
Tudo que quis, não pude ter, todos os desejos do mundo contidos em uma alma tão pequena e imensa: antítese é a vida, não as coisas que dizemos ou escrevemos. A vida, ela é um paradoxo. E eu? Eu tenho perdido aos poucos os pequenos pedaços de ser. Perdi a vida, perdi o riso, o beijo. Três. Mas acho que é mesmo isto: a vida é tudo que ela não fez de nós. E os sonhos se perdem às portas alheias, e tudo se desfragmenta.
A forma da alma que abre os braços ao devir é nua. Nua de sonhos. Eles param em cada esquina, se perdem aos olhares furtivos, deslizam no crepúsculo, entre uma sombra e outra, dentre um silenciar e outro, dentro de um outro e outro. E outro. E outro.
Ser? Apenas. Ser mar e nada mais.

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